plantas alimentícias não convencionais na formação docente e na iniciação científica infanto-juvenil – weecnetwork

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TerezEm meio fome e à insegurança alimentar agravada no período pandêmico, perguntamonos até que ponto a situação seria agravada por falta de conhecimento sobre plantas alimentícias disponíveis, mas desconhecidas como alimento pela população.
Como professora universitária, tenho como função a formação de professores e a disponibilidade de um Clube de Ciências que recebe estudantes da Educação Básica para o desenvolvimento de atividades e projetos de iniciação científica. Empreendi, então, em projetos para o conhecimento de espécies vegetais não conhecidas como alimentos. Mas era necessário compreender a biodiversidade da Amazônia em sua totalidade. Meus alunos universitários organizaramse em dois grupos, cada qual responsável por uma turma de crianças e adolescentes inscritos no Clube de Ciências da UFPA (CCIUFPA).

O primeiro ano de trabalho foi dedicado à compreensão da biodiversidade no seu todo: plantas e animais, mas também as pessoas em geral, indígenas, em suas várias etnias, ribeirinhas, quilombolas, vivendo na floresta, na cidade, em meio urbano e rural, todos compondo o meio ambiente, além dos elementos abióticos presentes e necessários à vida em todas as suas formas. Era necessário que fosse construída a ideia de interdependências entre os fatores bióticos e abióticos do ambiente e a natural integração dos seres humanos nesse todo.
Já nesse primeiro ano, porém, introduzimos, como estudo e experiência de plantio, algumas plantas alimentícias não convencionais, as chamadas PANC. Estudamos e plantamos ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata ), beldroega (Portulaca oleracea), bertalha (Basella alba), inhame (Dioscorea sp), orelha de macaco (Alternanthera sessilis), erva de jabuti (Peperomia pellucida), Cará-moela (Dioscorea bulbifera L), dentre outras.
Passamos a plantar em vasos, como estudo experimental, visitamos feiras de agricultura orgânica, entrevistamos feirantes agricultores. Éramos professores e estudantes interagindo para conhecermos novas PANC e pesquisar propriedades nutricionais e formas de preparo culinário. No final do primeiro ano, plantamos em um espaço disponível na UFPA, uma muda de ora-pro-nóbis e de cará-moela. Doamos mudas para visitantes em exposição de trabalhos no final do período letivo.

No segundo ano, oficializamos o espaço de plantio como espaço experimental e estudantes universitários (meus alunos) passaram a fazer e orientar outros experimentos e estudos, como levantamentos pela internet de variedades de feijões e outros grãos, por exemplo, tendo em vista o estudo da biodiversidade. Estava criada, oficialmente, a horta PANC, com cerca de 15 espécies vegetais PANC. Testou-se preparos culinários, levantados pelos participantes do projeto, como bolos e farofas com ora-pro-nobis, arroz com galinha e beldroega, leite de inhame; saladas de cará-moela, entre outros, com degustação por professores e estudantes.
2025 foi nosso terceiro ano com a temática, sempre com turmas novas e novas ideias para os projetos de iniciação científica, também. As crianças de 3º ano produziram álbuns de PANC com exsicatas por eles elaboradas, sob orientação, produziram bonecos cabeludos com alpiste, fizeram novas mudas, plantaram ervas de sombra na mandala que construíram numa área coberta junto à horta. Em eventos de final de ano, que têm o objetivo de divulgação do conhecimento, os trabalhos tiveram grande sucesso, tanto das crianças, quanto dos adolescentes, que trabalharam com com padlet, fanzines e participaram de RPG (Role Playing Game). Essas atividades foram oferecidas nos eventos finais de divulgação de conhecimentos ao público visitante, a professores e alunos de escolas públicas, no formato de exposição e oficinas.

Entendemos que tudo isto concorre para a Educação para o Desenvolvimento Sustentável. Por isso, o projeto de 2026 amplia suas atividades para além dos estudos sobre plantas alimentícias não convencionais e denominase EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: estudos investigativos e práticas pedagógicas para formação da cidadania amazônica e planetária.

A EDS aborda dimensões: i) pedagógica, ii) social e comunitária, iii) científica e tecnológica e iv) cultural e criativa, as quais englobam os diferentes ODS, ao se realizar ensino e aprendizagem inter e transdisciplinares. Este projeto tem, pois, o objetivo de contribuir para a formação de futuros professores comprometidos com a formação de cidadãos com atitudes positivas em relação à sustentabilidade, capazes de perceber problemas, buscar soluções e tomar decisões. Para tanto, o projeto prevê trabalhar com temas e problemas ecossocioambientais, por meio de projetos de investigação sob orientação, na perspectiva da pesquisa em aula.

Recapiti
Terezinha Gonçalves